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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Último Romance (Versão Orquestrada)

Autoria de Rodrigo Amarante, ''Último Romance'' faz parte do terceiro álbum de estúdio da banda Los Hermanos, Ventura. É, sem dúvidas, uma das músicas mais conhecidas e pedidas pelos fãs. 

Ouçam a versão orquestrada:





quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Tem Mais Samba a Dois


"Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?"


Faço proveito dessa pergunta para dizer que até onde se sabe não houve atrevimentos de tal "porte". Estudando a história do samba, encontra-se definições, datas e explicações sobre sua origem. No entanto, nem mesmo grandes gênios que fizeram parte do que hoje pesquisamos, daquela "nata da malandragem"* - tais como o grande Paulo da Portela (vital para divulgação e a retirada do preconceito muito comum daquela época com o samba), Ismael Silva (um dos fundadores da primeira escola de samba, "Deixa Falar", 1928), Alcebíades Barcelos (Bide, malandro que criou o surdo, mudando o ritmo anteriormente "amaxixado"), Cartola, Noel Rosa, entre tantos outros dessa lista enorme - ousaram dizer do que ele era feito. Porém, o samba sempre foi algo muito citado nas próprias composições, houve, sim, aqueles que muito já disseram e destacaram nas músicas como ele era importante, entretanto, a magia que esse gênero causa nunca poderá ser explicada e os grandes sambistas da antiga sabiam disso. Talvez esse seja um dos motivos daquela época ter tornado-se um marco para cultura brasileira - claro, além de todo contexto histórico, como sua origem, gêneros anteriores, etc - tudo era feito com cuidado, aqueles compositores se importavam verdadeiramente com o que estava sendo escrito e a melodia que ficava por cima, os sambas não faziam parte de suas vidas, o samba era a vida de cada um, onde, então, ela se refletia. Mas o que aqueles sambistas não sabiam é que estavam muito a frente de seu tempo, desprovidos da tecnologia, essa facilidade para encontrar qualquer coisa e principalmente entregues à escassez de instruções, fizeram algo que em pleno século XXI não pode evoluir; quase de forma generalizada, os sambas contemporâneos e suas atividades são feitas para o comércio, ou/também para um ato mais exibicionista. Enquanto, antigamente, eram feitos nos terreiros, no morro... E sem maiores pretensões. Logo, aí está outro ponto mágico do samba: sua evolução foi feita lá atrás. Por fim e para uma melhor compreensão dos fatos que levaram a crer que o samba e as "Escolas de Samba" tomaram rumos que não eram inerentes aos propósitos iniciais - como quando surgiram - e também para dar uma breve "definição" do que podemos chamar de "samba", deixarei um trecho do livro escrito pelo Mestre Candeia e Isnard. Leiam a "apresentação" de muito valor dada por Sérgio Cabral: 


"O samba é a mais expressiva linguagem musical do povo carioca. Hoje enriquece os donos do mercado musical, enquanto as escolas de samba são utilizadas pelo seu potencial turístico, sugadas pelo que oferecem de supérfluo e desprezadas pelo fundamental. Há tantos interesses em torno do samba e das escolas que fica muito difícil saber onde é a fronteira da manifestação espontânea do povo e a ganância."

Trecho extraído do livro "Escola de Samba: Árvore Que Esqueceu a Raiz".


*referência à música "Homenagem ao Malandro".



Samba a Dois: música de Marcelo Camelo e que faz parte do terceiro álbum da banda Los Hermanos, Ventura. Além dos geniais trocadilhos feitos no refrão, 


"Me lava a alma, me leva embora..."
"Me lava a alma, me leva agora..."

que fazem referência à Mila Burns - mulher com quem Marcelo já foi casado - quando o mesmo canta "Mi lava a alma, mi leva embora", a canção traz também uma "intertextualidade" com outra de Chico Buarque, "Tem Mais Samba" nos seguintes trechos:

Samba a Dois
(Marcelo Camelo)

Quem me ensinou a te dizer

"Vem que passa o teu sofrer"

"Me laça a alma, me leva agora
Já que um bom samba não tem lugar"




Tem Mais Samba
(Chico Buarque)


"Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora

Samba sem querer
Vem que passa
Teu sofrer

Se todo mundo sambasse

Seria tão fácil viver"

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Ouça agora cada uma delas:

Samba a Dois


Tem Mais Samba
1964.

Feita para o musical Balanço de Orfeu, de Luiz Vergueiro.


Chico considera essa canção o marco zero de seu carreira profissional. Foi uma encomenda feita pelo produtor Luiz Vergueiro para o show Balanço de Orfeu, que estreou em 7 de dezembro de 1964 no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo.

Em depoimento para o jornalista e escritor Humberto Werneck, Luiz conta que a música funcionaria como uma espécie de moral de história para o conforto entre a Bossa Nova e a Jovem Guarda. A canção seria cantada no final do espetáulo, por todo o elenco, numa mais do que esperada vitória da Bossa Nova.

A primeira sugestão de Chico não satisfez o diretor, e a música só ficou pronta na véspera da estreia. Era "Tem mais samba" - que, além de marco inicial, indicaria "uma constante em seu trabalho: a criação por encomenda [aquela foi a primeira], contra o relógio, mas nunca em prejuízo da beleza e do prazer de criar", segundo Werneck.



Trecho extraído do livro "Chico Buarque - Histórias de Canções", de Wagner Homem, (página 18).





Em uma apresentação no Bem Brasil, Marcelo cantou um dos versos da música "Mania de Você" da Rita Lee no final.
Ouçam:


Agora para os mais interessados, deixarei o link para download do Livro "Escola de Samba: Árvore que esqueceu a raiz", mais algumas fontes para o estudo desses que foram tão importantes para a música popular brasileira e que talvez devido a essa importância, inspirou uma das mais belas músicas escritas pelo Marcelo Camelo, da qual ele não hesitou terminar de outra forma a não ser "nem se atreva a me dizer do que é feito o samba".   

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Indicação: 
Blog Receita de Samba


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ventura

Ventura - Terceiro CD, 2003.


“Ventura significa acaso, mas significa SORTE também. Porque a palavra "Sorte", ela quer dizer "acaso ", não só boa sorte. Então, nesse caso, Ventura pode significar risco, né? Ou acaso... e pode significar fortuna que é a boa sorte. Então, essa é uma palavra que tem esse significado amplo, que na síntese pode significar que pra se ter fortuna é preciso correr algum risco”.

(Rodrigo Amarante)



Esse é o terceiro disco da banda, antes chamado de "Bonança", mas devido a um imprevisto de ter sido o primeiro disco nacional a ser disponibilizado na internet antes mesmo do lançamento oficial, o nome foi substituído. Durante a produção, novamente foram para um sítio e teve Kassin como produtor. Pra quem não sabe, Kassin também participou do primeiro disco e com a saída do Patrick ele entrou para tocar baixo; elogiado pelos barbudos por entender até mesmo o que não foi explicado. Sobre o sítio, ideia que foi mantida desde o segundo disco (Bloco do Eu Sozinho) quando também se “afastaram do mundo” e moraram durante dois meses em um, é tanto quanto relevante quando seguida das diversas explicações que os Hermanos fizeram. Quando um álbum é inteiramente feito no estúdio, todo regrado gera stress e incontáveis motivos dos quais as músicas perdem um pouco do encanto. No sítio eles estavam o tempo todo juntos, acordavam juntos, riam juntos... Melhor dizendo, compartilhavam as mesmas coisas em um ambiente agradável, sem pressão, onde todos davam palpites com total liberdade. E o resultado desse convívio diário não foi diferente do anterior, mais uma vez conseguiram de forma impecável tocar o público com belíssimas canções.

Na primeira semana foram só Marcelo e Amarante para o sítio, chegavam, pegavam o violão e ia cada um pra um canto. Com a chegada dos outros integrantes as músicas começaram a aparecer. Ali faziam os arranjos... Muitas das vezes as melodias e os acordes fluíam, Amarante afirma que isso vinha até mesmo antes da letra.

E por falar em letra, as do álbum Ventura são alvo de reflexão, misturadas com as vozes de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, logo, ‘embaralhadas’ com sons incríveis, principalmente dos metais, transformaram o álbum em mais uma referência. Em 2007 foi considerado pela revista Rolling Stone Brasil como um dos 100 melhores discos da música brasileira. Em 2012, uma votação aberta ao público o elegeu como melhor disco de todos os tempos.
 


Para ver os títulos recebidos pelo Ventura é só clicar:

Alguns detalhes são perdidos na escrita, portanto, para entender melhor sobre a produção do disco vou deixar um vídeo que mostra boa parte de como tudo aconteceu e dessa "doce rotina" que tiveram durante dois meses: